Estamos presente na dor, porque já estivemos muito perto do sofrimento. Servirmos ao próximo, porque sabemos que todos nós um dia precisamos de ajuda. Escolhemos o branco, porque queremos transmitir paz. Escolhemos publicar nossas ações, porque queremos transmitir fontes de saber. Escolhemos nos dedicar à saúde, porque respeitamos a vida.

"Trabalho não é apenas um meio de ganhar dinheiro ou de ser aceito e admirado. Muito mais do que isso, pode ser um meio de ser feliz, de se realizar, de fazer um mundo melhor."

domingo, 11 de dezembro de 2011

DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: Direito à saúde


 Muitos de nós denominam a pessoa que possui alguma deficiência como portador de necessidades especiais. Essa denominação não é completamente correta. Pessoas com necessidades especiais são todas aquelas que necessitam de adaptações para realizarem tarefas cotidianas. Nesse grupo incluem-se as grávidas, os obesos, os idosos e as pessoas com deficiência.

Há quem acredite que a pessoa com deficiência seja incapaz, devido a suas limitações. Porém, assim como todos nós, as pessoas com deficiência apresentam dificuldades e qualidades. Portanto, a legislação assegura à pessoa com deficiência todos os direitos fundamentais, além de possibilidades de adaptações físicas, espaciais, instrumentais e tecnológicas que facilitem a execução de tarefas.

Diante de tantas mudanças que hoje vemos ocorrer na sociedade, surge um novo movimento, o da inclusão, consequência da visão de um mundo democrático, no qual pretendemos respeitar direitos e deveres. A limitação da pessoa não diminui seus direitos: é cidadã e faz parte da sociedade como qualquer outra. Chegou o momento de a sociedade preparar-se para lidar com a diversidade humana.          
 Todas as pessoas devem ser respeitadas, não importa o sexo, a idade, as origens étnicas, a orientação sexual ou as deficiências. Uma sociedade aberta a todos, que estimula a participação de cada um, aprecia as diferentes experiências humanas e reconhece o potencial de todo cidadão é denominada sociedade inclusiva.

 A sociedade inclusiva tem como objetivo principal oferecer oportunidades iguais para que cada pessoa seja autônoma e autodeterminada. Esse processo democrático constitui-se no reconhecimento que todos os seres humanos são livres, iguais e têm o direito de exercer sua cidadania. Para que uma sociedade se torne inclusiva, é preciso cooperar com o esforço coletivo de sujeitos que dialogam em busca do respeito, da liberdade e da igualdade. Portanto, é dever de todos nós fornecer mecanismos para que todos possam ser incluídos.
 Apesar de existirem leis que garantem os direitos da pessoa com deficiência, percebemos que excluímos as pessoas que consideramos diferentes. Precisamos, então, conhecer e reconhecer essas pessoas que vivem à nossa volta, excluídas por nossa própria ação.

Se desejamos, realmente, uma sociedade democrática, devemos criar uma nova ordem social, pela qual todos sejam incluídos no universo dos direitos e deveres. Para isso, é preciso saber como vivem as pessoas com deficiência, conhecer suas expectativas, necessidades e alternativas. Precisamos pensar nas dificuldades e conquistas desses excluídos e na possibilidade de concretização dos seus direitos: soluções simples e concretas para que possam ir e vir; planejamentos eficazes para que possam estar nas salas de aula; plena assistência à saúde; qualificação profissional; emprego; prática de esporte; cultura e lazer.
 
 O portador de deficiência tem direito a receber informações do médico sobre sua deficiência e inclusive as consequências que ela traz?
 Informações do médico sobre sua deficiência e sobre as consequências que ela traz

A Lei Federal 7.853/89 (art. 2º, parágrafo único, II) assegura esse direito a qualquer pessoa. Isso inclui informações sobre os cuidados que ela deve ter consigo, notadamente, no que se refere à questão do planejamento familiar, às doenças do metabolismo e seu diagnóstico e ao encaminhamento precoce de outras doenças causadoras de deficiências.


 Existe lei que garanta a habilitação ou a reabilitação do portador de deficiência?

O Poder Público está obrigado a fornecer uma rede de serviços especializados em habilitação e reabilitação, bem como garantir o acesso aos estabelecimentos de saúde públicos e privados, conforme a Lei Federal 7.853/89 (art. 2º, parágrafo único, alíneas “c” e “d”); o Decreto Federal 3.298/99 (art. 17, 18, 21 e 22) e Lei Federal 8.213/91 (art. 89) regulamentada pelos Decretos 3.048/99 e 3.668/00. 


 E se o deficiente não puder se dirigir pessoalmente ao hospital ou posto de saúde?

O direito a atendimento domiciliar de saúde é assegurado ao portador de deficiência física grave, se ele não puder dirigir-se, pessoalmente, ao hospital ou posto de saúde, pela Lei Federal 7.853/89 (art. 2º, inciso II, alínea “e”) e pelo Decreto Federal 3.298/99 (art. 16, inciso V).


 Não havendo serviço de saúde no município onde o portador de deficiência mora, o que deve ser feito?

A Lei Federal 7.853/89 (art. 2º, inciso II, alínea “e”) assegura o encaminhamento do portador de deficiência ao município mais próximo, que contar com estrutura hospitalar adequada para seu tratamento.
 

 Os órgãos responsáveis pela saúde devem dispensar tratamento prioritário e adequado aos portadores de deficiência?

O Decreto Federal 3.298/99 estabelece que os órgãos responsáveis pela saúde devem dispensar tratamento prioritário e adequado aos portadores de deficiência, determina e prevê, também, a criação de rede de serviços regionalizados, descentralizados e hierarquizados, voltados para o atendimento à saúde e à reabilitação da pessoa portadora de deficiência.
 A Lei Federal 10.216/01 cuida da proteção e dos direitos da pessoa portadora de deficiência mental e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Os direitos e proteção das pessoas acometidas de transtorno mental são assegurados, sem qualquer forma de discriminação quanto à raça, cor, sexo, orientação sexual, opção política, nacionalidade, idade, família, recursos econômicos e à gravidade ou tempo de evolução de seu transtorno ou qualquer outro fator (art. 1).


 O portador de deficiência tem direito a instrumentos que o auxiliem a vencer suas limitações físicas?

O portador de deficiência tem direito a obter, gratuitamente, órteses e próteses (auditivas, visuais e físicas) junto às autoridades de saúde (federais, estaduais ou municipais), a fim de compensar suas limitações nas funções motoras, sensoriais ou mentais (Decreto Federal 3.298/99, art. 18, 19 e 20).


 Existe, também, o direito a medicamentos?

A pessoa tenha o direito de obter do Poder Público os medicamentos necessários ao tratamento, mediante apresentação de receita médica. Se não forem fornecidos, deve-se procurar um advogado ou a Defensoria Pública (Lei Federal 8.080/90, art. 6, VI).


 Que providências podem ser tomadas em caso de a deficiência ocorrer por erro médico?

O cidadão deve procurar um advogado, a Promotoria de Justiça do Erro Médico ou uma das entidades listadas no final desta Cartilha. Ele poderá requerer o tratamento e, inclusive, uma indenização, se ficar comprovado que houve, realmente, erro médico.

 Qual o direito do portador de deficiência internado em instituição hospitalar?

Assegura O atendimento pedagógico ao portador de deficiência internado na instituição por prazo igual ou superior a um ano, com o intuito de garantir sua inclusão ou manutenção no processo educacional e assegurado pelo Decreto Federal 3.298/99 (art. 26).


 O portador de deficiência tem direito a desfrutar de plano de saúde para tratamento de sua deficiência?

A Lei Federal 9.656/98 (art. 14) estabelece que não pode haver impedimento de participação dos portadores de deficiência nos planos ou seguros privados de assistência à saúde.

FONTE:
CARTILHA DA INCLUSÃO
DIREITOS DAS PESSOAS
COM DEFICIÊNCIA

sábado, 10 de dezembro de 2011

Higiêne bucal em bebê

 A amamentação é benefício  para saúde  intelectual, nutricional e física do bebê, mas ainda tem mais uma vantagem , mamando o bebê vai respirar pelo nariz, sendo obrigado a morder, avançar e retrair as mandíbulas, propriciando assim um estímulo muscular e esquelético da face, com isso terá uma boa oclusão dentária.
A higiêne bucal deve iniciar a partir do nascimento do bebê. Quando recém-nascido, a limpeza deve ser realizada com uma gaze ou fralda umedecida em água limpa para retirar os resíduos de leite que ficou.
A partir do nascimento dos primeiros dentes , a fralda deve ser trocada por uma dedeira. Quando aparecer primeiros molares decíduos, aproximadamente aos 18 meses, a higiêne deve ser feita com uma escova dental infantil com um creme dental sem flúor.
E é só a partir dos 2 a 3 anos de idade, que o creme dental fluoretado deve ser utilizado, é quando a criança já saberá cuspir o excesso
A mamãe não deve soprar ou usar a colher para experimentar a comida do bebê, pois poderá transmitir o streptococcus mutans, bactéria que causa cárie.
A carie da mamadeira ocorre quando a criança geralmente a noite toma seu leite adoçado e após não é realizada a limpeza bucal adequada.

Saúde Bucal do bebê – Cuidados
No primeiro semestre de vida o leite é essencial para o bebê, e o leite materno contém tudo o que ele precisa na quantidade exata, incluindo anticorpos para defesa contra doenças.
Se não for possível a amamentação, deve-se utilizar a mamadeira sem açúcar com bico anatômico, conforme orientação do pediatra ou dentista.
Evite que a criança adormeça mamando no seio ou mamadeira para diminuir o risco de adquirir cáries precocemente na infância.
É importante fazer a limpeza da boca do bebê ao menos uma vez por dia usando uma gaze, ou fralda, seguindo sempre a orientação de um dentista.
Deve-se levar a criança ao dentista antes do nascimento do primeiro dente, e assim, os pais podem receber orientação adequada.
Nascimento dos dentes do bebê
Quando o bebê nasce, os dentes de leite já estão formados, só esperando para aparecer. Geralmente, o primeiro dente irrompe (ou nasce) por volta dos seis meses; e até os três anos, todos os vinte dentes de leite já apareceram.
Os dentes permanentes começam a surgir perto dos seis anos, quando o primeiro molar permanente cresce atrás do último molar infantil.
O nascimento dos dentes pode fazer o bebê rejeitar alimentos, ter um sono inquieto, começar a babar (devido ao aumento de salivação) e levar objetos ou as mãos à boca.
Início da Escovação e do uso do Fio dental na criança
Comece a escovar o dente da criança logo que o dentista aconselhar. Deve-se escovar o dente após as refeições e antes de dormir, com uma escova infantil de tamanho pequeno e com cerdas macias.
Fazendo isso todos os dias, a criança vai criar o hábito de escovar os dentes. Além disso, os pais devem sempre fazer a higienização bucal na frente da criança para que ela assista a isso e queira imitar.
Tente não forçar a criança a escovar os dentes. Se os adultos fizerem dessa atividade de escovação algo simples, agradável e divertido, fica mais fácil motivar a criança. E desse modo, comece o uso do fio dental logo que a escovação tornar-se um hábito.
Além disso, evite que a criança consuma excessivamente alimentos que podem gerar cáries, como balas, bolachas, refrigerantes, entre outros.
Seguindo todos esses cuidades, a criança vai poder adquirir e manter uma ótima saúde bucal.

Tipos de Pontos de sutura

A sutura é uma das técnicas de tratamento de feridas  que está ao alcançe dos Enfermeiros .
De uma forma prática, apresentamos algumas figuras ilustrativas dos principais tipos de pontos de sutura que se podem usar no encerramento de ferimentos que obedeçam a certas características, com especial relevo para as feridas lacerativas traumáticas.
SUTURA INTRA-DÉRMICA

PONTO INTERROMPIDO

PONTO “HORIZONTAL MATRESS”

PONTO DONATTI
 
SUTURA DE LACERAÇÕES EM V
SUTURA DE DRENOS

 
A Calendarização da Remoção de Suturas é um tema um tanto ou quanto ambíguo, no entanto segundo PHIPPS, SANDS, MAREK pode-se calendarizar segundo seguinte esquema:
 



Fonte: http://forumenfermagem.org/feridas

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Meningite viral e bacteriana: qual a diferença?

 
A meningite é uma doença que consiste na inflamação das meninges – membranas que envolvem o encéfalo e a medula espinhal. Ela pode ser causada, principalmente, por vírus ou bactérias.
O quadro das meningites virais – tipo que atinge a cantora Ivete Sangalo – é mais leve e seus sintomas se assemelham aos da gripe e resfriados.
Entretanto, a bacteriana – causada principalmente pelos meningococos, pneumococos ou hemófilos – é altamente contagiosa e geralmente grave, sendo a doença meningocócica a mais séria. Causada pela Neisseria meningitidis, pode causar inflamação nas meninges e, também, infecção generalizada (meningococcemia).
O ser humano é o único hospedeiro natural desta bactéria cujas sequelas podem ser variadas: desde dificuldades no aprendizado até paralisia cerebral, passando por problemas como surdez.

A transmissão se dá pelo contato da saliva ou gotículas de saliva da pessoa doente com os órgãos respiratórios de um indivíduo saudável, levando a bactéria para o sistema circulatório aproximadamente cinco dias após o contágio.
Como crianças de até 6 anos de idade ainda não têm seus sistemas imunológicos completamente consolidados, são elas as mais vulneráveis. Idosos e imunodeprimidos também fazem parte do grupo de maior suscetibilidade.
A transmissão da meningite viral e bacteriana se dá da mesma forma?
 “As meningites virais são decorrentes de infecções virais que a pessoa contrai podendo ser, por exemplo, viroses intestinais, sarampo, caxumba, varicela, etc. A partir desta infecção inicial há o acometimento das meninges e consequente instalação de quadro de meningite”.
“As meningites bacterianas têm como seus principais agentes etiológicos os meningococos, pneumococos e o haemophilus influenza do tipo B, estas infecções são contraídas por via respiratória, sendo geralmente o quadro de meningite o primeiro a se manifestar”.

Sintomas

Febre alta, fortes dores de cabeça, vômitos, rigidez no pescoço, moleza, irritação, fraqueza e manchas vermelhas na pele (que são inicialmente semelhantes a picadas de mosquitos, mas rapidamente aumentam de número e de tamanho, sendo indício de que há uma grande quantidade de bactérias circulando pelo sangue) são alguns dos seus sintomas. É essencial procurar atendimento médico rapidamente para que a infecção não alcance a corrente sanguínea.

Diagnóstico
A doença meningocócica tem início repentino e evolução rápida. Para a confirmação diagnóstica das meningites, retira-se um líquido da espinha, denominado líquido cefalorraquidiano, para identificar se há ou não algum patógeno e, se sim, identificá-lo.
Em caso de meningite viral, o tratamento é o mesmo feito para as viroses em geral; caso seja meningite bacteriana, o uso de antibióticos específicos para a espécie, administrados via endovenosa, será imprescindível.
O tipo que atinge a cantora está sendo divulgado como meningite benigna. Este tipo é necessariamente a viral, mais leve?
O termo Meningite benigna não se trata de um termo muito apropriado, mas no entanto, é utilizado, refere-se à Meningite de etiologia viral, que tem um quadro clínico mais discreto que as Meningites bacterianas e com menor comprometimento do estado geral do paciente, apresenta risco menor de complicações.

Vacinas

Quando se fala sobre vacinas contra meningite, estamos nos referindo apenas às meningites bacterianas?
“Em geral sim, mas não podemos nos esquecer de que ao vacinarmos contra o Sarampo, Caxumba e Varicela também estamos, de certa forma, prevenindo contra Meningites virais decorrentes dessas doenças”.
O Sistema Único de Saúde oferece a vacina contra meningite para crianças menores de 2 anos, as seguintes vacinas que protegem contra eventuais meningites bacterianas : Vacina Meningocócica do grupo C e Vacina Pneumocócica 10 valente.

Vacina quadrivalente

Entre as inovações no setor, está a vacina meningocócica conjugada A, C, W, Y, primeira quadrivalente disponível no mercado que ajuda a proteger contra quatro dos cinco principais sorogrupos da bactéria meningocócica (A, C, W-135 e Y).
Até hoje, a única vacina conjugada disponível no Brasil para prevenção contra a meningite meningocócica combate apenas o sorogrupo C.
A nova vacina é indicada, inicialmente, para imunização de adolescentes maiores de 11 anos e adultos, e está disponível para a população nas clínicas privadas de vacinação.
 
A maneira mais eficaz para a prevenção da doença é a aplicação da vacina que ainda não está no calendário nacional do Ministério da Saúde, o que só vai acontecer a partir do ano que vem. Deste modo, mesmo as pessoas de baixa renda terão acesso ao medicamento, que será aplicada gratuitamente.
A nova vacina para o combate a Meningite C é usada desde 1999. Mas gratuitamente, ela só é disponibilizada no estado de Minas Gerais que começou a fazer uma campanha de vacinação em novembro do ano passado.
Hoje, 19, o estado vai receber 99.388 doses da vacina, e até a metade desse ano serão recebidas mais 303.026 doses.
Com a inclusão dessa vacina no calendário nacional do Ministério da Saúde, o país precisará de um número maior de vacinas. O governo de Minas Gerais está investindo na construção de uma fábrica de vacinas que produzirá as doses em parceria com a Fundação Ezequiel Dias (FUNED). A produção será suficiente para atender a demanda de outros estados do país.
“Com a inclusão da vacina nas campanhas nacionais de vacinação, mais pessoas se prevenirão, e é
possível que daqui há alguns anos a doença seja erradicada no país, como a varíola”



FONTE: Blog da Saúde, entrevista com Dr. Ricardo Cunha, Diretor de Vacinas do Delboni Auriemo Medicina Diagnóstica

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

ATENÇÃO À CRIANÇA PORTADORA DE DEFICIÊNCIA: Nós não devemos deixar que as incapacidades das pessoas nos impossibilitem de reconhecer as suas habilidades.” Hallahan e Kauffman

Segundo a UNICEF, pelo menos 10% das crianças nascem ou adquirem algum tipo de deficiência – física, mental ou sensorial – com repercussão negativa no desenvolvimento neuropsicomotor. Por outro lado, cerca de 70 a 80% das sequelas podem ser evitadas ou minimizadas através de condutas e procedimentos simples de baixo custo e de possível operacionalização. A introdução de medidas preventivas, adequadas em todos os níveis de atenção à saúde, deve ser compromisso prioritário dos gestores estaduais e municipais com o acompanhamento do crescimento, estimulação global do desenvolvimento, imunização e abordagem oportuna das alterações observadas.

A criança com necessidades especiais deve receber atenção integral e multiprofissional, possibilitando a detecção dos problemas em tempo oportuno para o desenvolvimento de ações de diagnóstico e intervenção precoce, de habilitação e reabilitação, promoção de saúde e prevenção de impedimento físico, mental ou sensorial e de agravos secundários, minimizando as conseqüências da deficiência. A abordagem da criança deve ter como referencial a promoção da sua inclusão e participação social, para o quê é necessária a atuação integrada da equipe de saúde com a família, a comunidade e os equipamentos sociais disponíveis.

Em toda visita domiciliar ou atendimento da criança a equipe de saúde deve estar atenta a alguns sinais de alerta como atraso nas aquisições neuropsicomotoras, comportamentos estereotipados e repetitivos, apatia frente a estímulos do ambiente, dificuldade em fixar visualmente o rosto da mãe e objetos do ambiente, ausência de resposta aos estímulos sonoros, dentre outros. Na presença de qualquer alteração do desenvolvimento neuropsicomotor e/ou algum dos sinais de alerta, a criança deve ser encaminhada à Unidade Básica de Saúde para avaliação com pediatra e equipes de habilitação e reabilitação, se necessário. Recomenda-se que em todas as crianças menores de 1 ano com malformações congênitas e alterações neurológicas seja descartada como causa etiológica o vírus da rubéola, devendo-se realizar coleta de sangue, preferencialmente até o 6.º mês de vida, para diagnóstico laboratorial da infecção congênita. Aqui, lembra-se novamente a importância da notificação e investigação adequada desses casos para melhoria do conhecimento sobre esse importante problema de saúde pública, o que permite desenvolver medidas de controle e prevenção apropriadas.
 
O cuidado integral à criança portadora de deficiência e a promoção da sua qualidade de vida pressupõe reabilitar a criança na sua capacidade funcional e desempenho humano, proteger a sua saúde para que possa desempenhar o seu papel em todas as esferas da sua vida social. Inclui o diagnóstico, tratamento, procedimentos de reabilitação, medicamentos, assistência odontológica, ajudas técnicas e a nutrição adequada; o fornecimento de órteses, próteses, bolsas pediátricas de colostomias, medicamentos, leites especiais; obedecendo o fluxo local de assistência.
O monitoramento permanente de ocorrências de deficiências e incapacidades nas crianças assim como a análise da prevalência e tendência constitui uma meta a ser alcançada pelos gestores da saúde, objetivando o planejamento de serviços e a adoção de medidas preventivas. Ainda, a disponibilidade de recursos humanos capacitados para o desenvolvimento de ações de prevenção e atenção integral à criança com deficiência deve ser providenciada para a efetiva operacionalização desta política.

O decreto 3.298, de 20 de dezembro de
1999, Portaria Nº 298, de 9 de agosto
de 2001, estabelece que “deficiência
permanente é aquela que ocorreu e se
estabilizou durante um período de tempo
suficiente a não permitir recuperação
ou ter probabilidade de que se altere,
apesar de novos tratamentos”.
Esse decreto também define as
seguintes categorias:

Deficiência Física: “Alteração completa ou parcial de um
ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento
da função física”.
Deficiência Auditiva: “Perda parcial ou total das possibilidades
auditivas sonoras, variando em graus e níveis”.
Deficiência Visual: “Acuidade visual igual ou menor que
20/200 no melhor olho, após a melhor correção, campo visual
inferior a 20, ou ocorrência simultânea de ambas as situações”.
Deficiência Mental: “Funcionamento intelectual geral signifi cativamente abaixo da média, oriundo do período de desenvolvimento,
concomitante com limitações associadas a duas
ou mais áreas da conduta adaptativa ou da capacidade do indivíduo
em responder adequadamente às demandas da sociedade”.
Deficiência Múltipla: É a associação, no mesmo indivíduo,
de duas ou mais defi ciências primárias (mental/visual/
auditiva/física), com comprometimentos que acarretam conseqüências
no seu desenvolvimento global e na sua capacidade
adaptativa.
Alguns tipos de doenças que provocam incapacidades:
Paralisia Cerebral: Define um conjunto de distúrbios
motores decorrentes de lesão no cérebro (uma forma de encefalopatia
crônica não-evolutiva) durante os primeiros estágios de
desenvolvimento. Pode ocorrer alteração mental, visual, auditiva,
da linguagem e do comportamento. A lesão é estática: não muda
e não se agrava, o quadro não é progressivo. A deficiência motora
expressa-se em padrões normais de postura e movimentos,
associados com um tônus postural anormal. No entanto, algumas
características podem mudar com o tempo. A lesão atinge o
cérebro quando ainda é imaturo e interfere no desenvolvimento
motor normal da criança. Os distúrbios mais relevantes são os
motores, sem, necessariamente, implicar na existência de uma
deficiência mental associada.
Mielomeningocele: é uma anormalidade (má-formação)
congênita do sistema nervoso que se desenvolve nos primeiros
dois meses de gestação e apresenta problemas na formação do
tubo neural.
Espinha bífida: problema no fechamento da coluna vertebral
em seu arco posterior. É um dos mais graves defeitos do tubo
neural, podendo apresentar diversos graus de comprometimento.
Na espinha bífida cística ou aberta a lesão vertebral aparece recoberta
por uma espécie de membrana em forma de cisto. Quando
contém apenas líquido cefalorraquiano, a herniação afeta as
meninges e é chamada de meningocele; quando existe também
o tecido nervoso, medula espinhal e raízes raquidianas em forma
de rabo de cavalo, é chamada de mielomeningocele.
Síndrome de Down: Um atraso no desenvolvimento, das
funções motoras do corpo e das funções mentais. O bebê é pouco
ativo e molinho, o que se denomina hipotonia. A hipotonia
diminui com o tempo, conquistando o bebê, mais lentamente
que os outros, as diversas etapas do desenvolvimento.
A Síndrome de Down era também conhecida como mongolismo,
face às pregas no canto dos olhos que lembram pessoas
de raça mongólica (amarela). Essa expressão não se utiliza atualmente.
Face à hipotonia do bebê, este é mais quieto, apresenta
difi culdade para sugar, engolir, sustentar a cabeça e os membros.
A abertura das pálpebras é inclinada como parte externa
mais elevada, e a prega no canto interno dos olhos é como nas pessoas
da raça amarela. Tem a língua protusa (para fora da boca).
Apresenta rebaixamento intelectual, estatura baixa e 40%
dos casos possuem cardiopatias.

Exames para diagnosticar Síndrome de Down na gestação

Nos dias atuais, com a evolução da medicina, é possível descobrir ainda durante a gestação do seu bebê, se existe alguma alteração genética em seu pequeno. Ressalto que são exames seguros e sem risco para mamãe ou para o bebê. Para isso são realizados, exames como: - Translucência nucal: ultrassonografia realizada entre a 12ª a 13ª semana de gestação, onde é medida a prega da nuca do bebê. Esta deve medir entre 2,3 a 2,6 milímetros. Caso a prega esteja maior, isto pode ser um indício de síndrome de down ou outra alteração genética.
- Perfil bioquímico materno: consiste em dois exames realizados através da amostra de sangue da mamãe. O primeiro é relacionado à proteína plasmática e o outro avalia a fração livre do beta HCG. Ambas são produzidas pela mamãe e pelo bebê durante a gestação. Quando a proteína plasmática (PAPP-A) está abaixo do nível permitido e o beta HCG encontra-se em quantidade elevada, o bebê está acometido por alguma alteração.
Associando ambos os exames é possível chegar a um diagnóstico com precisão em cerca de 98% dos casos de síndrome de Down. Lembramos que não existe uma idade mínima para risco de gestação com risco de síndrome de down, portanto, os exames devem ser recomendados a todas as gestantes.
Sabemos que para o casal que aguarda tão ansioso a chegada de seu bebê, receber um diagnóstico de tamanha proporção não só para o pequeno, como também para toda a família, é algo que no primeiro impacto surpreende, mas, ao mesmo tempo, se você é uma das mamães citadas nesse artigo, creio que nada acontece por acaso e que esse pequeno irá trazer muita alegria a todos a sua volta, portanto mamãe, ame-o acima de tudo, ele vai precisar muito de você.
Crianças com Síndrome de Down têm mais risco para algumas doenças, principalmente cardíaca, mas hoje em dia, com a evolução dos serviços médicos, vêm sendo contornados com certa facilidade.
Quanto mais cedo iniciar a estimulação da criança com síndrome de down, melhor!. No desenvolvimento humano os primeiros 3 anos são essenciais e para criança com Síndrome de Down não é diferente, inclusive é necessário reforço.


Autismo: É uma alteração cerebral que afeta a capacidade
de a pessoa se comunicar, estabelecer relacionamentos e responder
apropriadamente ao ambiente. Algumas crianças, apesar de
autistas, apresentam inteligência e fala intactas, outras apresentam
também retardo mental, mutismo ou importantes retardos
no desenvolvimento da linguagem. Alguns parecem fechados e
distantes, outros presos a comportamentos restritos e rígidos padrões
de comportamento.
Características comuns
• Não estabelece contato com os olhos.
• Parece surdo
• Pode começar a desenvolver a linguagem, mas repentinamente
isso é completamente interrompido, sem retorno.
• Age como se não tomasse conhecimento do que acontece
com os outros.
• Ataca e fere outras pessoas, mesmo que não existam
motivos para isso.
• É inacessível perante as tentativas de comunicação das
outras pessoas.
• Ao invés de explorar o ambiente e as novidades, restringe-
se e fi xa-se em poucas coisas.
• Apresenta certos gestos imotivados, como balançar as
mãos ou balançar-se.
• Cheira ou lambe os brinquedos.
• Mostra-se insensível aos ferimentos, podendo até se ferir
intencionalmente.
Distrofia muscular: A distrofia muscular é uma das alterações
genéticas mais comuns em todo o mundo. De cada 2.000
nascidos vivos, um é portador de algum tipo de distrofi a muscular.
Essa incidência supera a de doenças como o câncer infantil,
que é de aproximadamente um para 4.500 nascidos, de acordo
com o Inca – Instituto Nacional de Câncer.
Nos últimos anos, a expectativa de vida desses pacientes
em países desenvolvidos passou de 20 a 25 anos para mais de 35
anos. No Brasil, só a concessão dos BiPAPs – aparelhos não-invasivos
de respiração artifi cial – aumentou a expectativa de vida
dos afetados pela Distrofia de Duchenne entre 12 a 15 anos.
Já os afetados pelas formas mais brandas de distrofi a podem ter
uma vida praticamente normal se diagnosticados precocemente
e tratados adequadamente.
Apesar das limitações físicas, a maioria dos afetados pelas
distrofi as musculares tem preservada sua capacidade intelectual.
A maioria dos jovens afetados freqüenta escolas comuns e muitos
chegam à universidade. (Fonte: Abdim)
Esclerose múltipla: A esclerose múltipla é uma doença
degenerativa, sem cura, que atinge principalmente adultos jovens
entre 20 e 40 anos de idade. A incidência é maior em mulheres
(na proporção de 3 por 1), na raça branca e em países do Hemisfério
Norte, onde o índice é de 100 doentes por 100.000 habitantes
a cada ano. No Hemisfério Sul, a incidência cai acentuadamente
para 1 a 5 doentes por 100.000 habitantes, não se sabe o
porquê. Tampouco se sabe a causa da doença, que é auto-imune,
estando no grupo da artrite reumatóide. A esclerose múltipla não
é letal, mas sua progressão pode acarretar, nos casos graves, paralisia
de membros ou perda da visão. Manifesta-se em surtos, com
sintomas que levam horas ou dias para aparecer, persistindo por
dois a quatro meses e desaparecendo gradualmente. A repetição
desses surtos é que determina a gravidade de cada caso. (Fonte:
Jornal da Unicamp)
 
  A beleza das pessoas na maioria
das vezes se apresenta de
forma sutil, de uma maneira
exótica, escondida nos traços
dos olhos, na maneira de
olhar, muitas vezes contundente,
no contorno da boca,
no sorriso, na forma do nariz,
no movimento dos cabelos,
e isso não é diferente numa
pessoa com deficiência.
Nem sempre é um conjunto harmonioso, pois a falta de
algum membro ou mesmo a dificuldade na locomoção, por puxar
de uma perna ao andar, ou estar em uma cadeira de rodas,
com escoliose acentuada, atrofia dos membros, leva o deficiente
a não oferecer um atrativo físico muito forte ao primeiro olhar,
sem contar que a maioria dos deficientes acaba adquirindo uma
certa obesidade por falta de constante movimentação e por ter
a mobilidade reduzida (como no uso de cadeira de rodas, por
exemplo). A simpatia e o carisma tornam-se características marcantes
e cativantes na maioria dos deficientes. A experiência de vida faz
com que sejam mais sensíveis à dor alheia, amáveis e carinhosas.
Alguns deficientes se endurecem mais nesse processo, e
buscam a reclusão, e podem se deprimir.
O sofrimento pela perda, na maioria das vezes, reforça o
caráter, acelera o amadurecimento e fortalece a identidade.

FONTE: Ministério da Saúde
Agenda de Compromissos para a
Saúde Integral da Criança
e Redução da Mortalidade Infantil

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Cuidado da Atenção Integral da Saúde da Criança

 Incentivo e qualificação do acompanhamento do crescimento e
desenvolvimento (CD)
Puericultuta realizada em 07/12/11

 
 
Toda criança deve receber o “Cartão da Criança”, de preferência ainda na maternidade.
O acompanhamento do crescimento e desenvolvimento faz parte da avaliação
integral à saúde da criança (0 a 6 anos), que envolve o registro no, Cartão da Criança,
de avaliação do peso, altura, desenvolvimento, vacinação e intercorrências, o estado
nutricional, bem como orientações à mãe/família/cuidador sobre os cuidados com a
criança (alimentação, higiene, vacinação e estimulação) em todo atendimento. Toda a
equipe de saúde deve estar preparada para esse acompanhamento, identificando crianças
de risco, fazendo busca ativa de crianças faltosas ao calendário de acompanhamento
do crescimento e desenvolvimento, detectando e abordando adequadamente as
alterações na curva de peso e no desenvolvimento neuro-psicomotor da criança. O seguimento
da criança será feito visando estreitar e manter o vínculo da criança e da família com os serviços de saúde, propiciando oportunidades de abordagem para a promoção
da saúde, de hábitos de vida saudáveis, vacinação, prevenção de problemas e agravos
e provendo o cuidado em tempo oportuno.
 Acolhimento: receber toda criança que procura o serviço de saúde com escuta qualificada, estabelecendo uma relação cidadã e humanizada, definindo o encaminhamento mais adequado para a resolução das demandas identificadas. Deve-se adotar uma postura acolhedora na recepção e atendimento dos usuários – durante todo o expediente – para não se incorrer no erro comum de burocratização dessa prática, com a instituição de agendamento ou distribuição de senhas para o acolhimento, que de fato deve acontecer como fluxo contínuo. A unidade/equipe assume o paciente e estabelece compromissoe responsabilidade sobre todas as suas necessidades de saúde. A consulta médica não deve ser a única proposta de abordagem da criança e toda a equipe deve participar da assistência e resolução do problema do usuário, potencializando-se a capacidade de resposta e intervenção. São encaminhadas para a consulta médica apenas aquelas crianças que dela necessitam.
Responsabilização: definição da população sob a responsabilidade da equipe, estabelecimento de vínculo entre o profissional de saúde e o usuário, garantindo a continuidade da assistência, com a responsabilização dos profissionais e da unidade de saúde sobre a saúde integral da criança e sobre os problemas colocados, até a sua completa resolução.
Assistência integral: abordagem global da criança, contemplando todas as ações de saúde adequadas para prover resposta satisfatória na produção do cuidado, não se restringindo apenas às demandas apresentadas. Compreende, ainda, a integração entre todos os serviços de saúde, da atenção básica à atenção especializada, apoio diagnóstico e terapêutico até a atenção hospitalar de maior complexidade, com o acompanhamento de toda a trajetória da criança pela atenção básica.
Assistência resolutiva: promover a articulação necessária para disponibilizar os diversos saberes e recursos adequados à necessidade apresentada, em todos os níveis de atenção. O cuidado não deve ser dispensado pontualmente e de forma fragmentada, devendo-se garantir a continuidade da assistência até a completa resolução do problema.
Eqüidade: com a definição das prioridades para atuação no processo de organização da assistência à saúde da criança, com maior alocação dos recursos onde é maior a necessidade. Atuação em equipe: articulando os diversos saberes e intervenções dos profissionais da unidade de saúde, efetivando-se o trabalho solidário e compartilhado e produzindo- se resposta qualificada às necessidades em saúde da criança.

Desenvolvimento de ações coletivas com ênfase nas ações de promoção da saúde: com estruturação de ações educativas nas escolas, creches, pré-escolas e unidades de saúde, com abordagem das ações de promoção de saúde, com o entendimento das interferências necessárias sobre o ambiente e hábitos de vida, buscando-se uma qualidade de vida saudável.
Participação da família/controle social na gestão local: incentivo à participação da família em toda a atenção à criança, envolvendo-a com a informação sobre os cuidados e problemas de saúde, bem como nas propostas de abordagem e intervenções necessárias, entendidas como direito de cada cidadão e potencial de qualificação e humanização da assistência.
Avaliação permanente e sistematizada da assistência prestada: ação a ser permanentemente desenvolvida pela unidade de saúde ou pela equipe de saúde da família, de maneira a contribuir para que os problemas prioritários sejam identificados, os ajustes e ações necessárias sejam realizadas, de modo a prover resultados mais satisfatórios para a população. Os instrumentos que poderão ser utilizados com esta finalidade, na forma de Sistemas de Informação já disponíveis, estão descritos neste documento no item Instrumentos de Gestão dos Serviços de Saúde, além de outros mecanismos locais que podem ser desenvolvidos.
 Todas as crianças atendidas em 07/11/12

NASF-Núcleo de Apoio a Saúde da Família

A Estratégia de Saúde da Família (ESF), vertente brasileira da APS, caracterizase
como a porta de entrada prioritária de um sistema de saúde constitucionalmente
fundado no direito à saúde e na equidade do cuidado e, além disso, hierarquizado e
regionalizado, como é o caso do SUS. A ESF vem provocando, de fato e de direito, um
importante movimento de reorientação do modelo de atenção à saúde em nosso país.


Intervenções diretas do Nasf frente a usuários e famílias podem ser realizadas, mas
sempre sob encaminhamento das equipes de SF com discussões e negociação a priori
entre os profissionais responsáveis pelo caso. Tal atendimento direto e individualizado
pelo Nasf ocorrerá apenas em situações extremamente necessárias. Devem ser
lembradas ainda as diversas modalidades de intervenção no território, por exemplo,
no desenvolvimento de projetos de saúde no território; no apoio a grupos; nos
trabalhos educativos e de inclusão social; no enfrentamento de situações de violência
e ruptura social; nas ações junto aos equipamentos públicos. Todas são tarefas a serem
desenvolvidas de forma articulada com as equipes de SF e outros setores interessados.

O Nasf é composto de nove áreas estratégicas, que representam os diversos
capítulos da presente publicação. São elas: saúde da criança/do adolescente e do
jovem; saúde mental; reabilitação/saúde integral da pessoa idosa; alimentação e
nutrição; serviço social; saúde da mulher; assistência farmacêutica; atividade física/
práticas corporais; práticas integrativas e complementares.

NASF – ATRIBUIÇÕES COMUNS AOS DIVERSOS
MEMBROS DA EQUIPE

• Identificar, em conjunto com as equipe de SF e a comunidade, as atividades, as
ações e as práticas a serem adotadas em cada uma das áreas cobertas;
• Identificar, em conjunto com as equipe de SF e a comunidade, o público prioritário
a cada uma das ações;
• Atuar, de forma integrada e planejada, nas atividades desenvolvidas pelas equipes
de SF e de Internação Domiciliar, quando estas existirem, acompanhando e atendendo
a casos, de acordo com os critérios previamente estabelecidos;
• Acolher os usuários e humanizar a atenção;
• Desenvolver coletivamente, com vistas à intersetorialidade, ações que se integrem
a outras políticas sociais, como educação, esporte, cultura, trabalho, lazer,
entre outras;
• Promover a gestão integrada e a participação dos usuários nas decisões, por
meio de organização participativa com os Conselhos Locais e/ou Municipais
de Saúde;
• Elaborar estratégias de comunicação para divulgação e sensibilização das atividades
dos Nasf por meio de cartazes, jornais, informativos, faixas, fôlderes e outros veículos
de informação;
• Avaliar, em conjunto com as equipe de SF e os Conselhos de Saúde, o desenvolvimento
e a implementação das ações e a medida de seu impacto sobre a
situação de saúde, por meio de indicadores previamente estabelecidos;
• Elaborar e divulgar material educativo e informativo nas áreas de atenção dos Nasf;
• Elaborar projetos terapêuticos, por meio de discussões periódicas que permitam
a apropriação coletiva pelas equipes de SF e os Nasf do acompanhamento dos
usuários, realizando ações multiprofissionais e transdisciplinares, desenvolvendo
a responsabilidade compartilhada.
A atuação da área de serviço social no Nasf apresenta importante contribuição
na articulação e formulação de estratégias que busquem reforçar e criar experiências
nos serviços de saúde, que efetivem o direito à saúde e a consolidação da cidadania.
Os profissionais de saúde, ao trabalhar com a questão social nas suas mais variadas
expressões cotidianas, têm o desafio de estabelecer muitos olhares para fazer
enfrentamentos críticos da realidade, para estabelecer estratégias do agir profissional de
forma criativa e inovadora, que se complementam na interlocução com outras categorias
profissionais, no cotidiano do trabalho e com os demais sujeitos políticos envolvidos.
A intervenção profissional, na perspectiva aqui assinalada, aponta para a necessidade
de uma sólida base de conhecimentos, aliada a uma direção política consistente
que nos possibilite desvendar adequadamente as tramas conjunturais e as forças
sociais em presença.

FONTE: Série A. Normas e Manuais Técnicos
Cadernos de Atenção Básica, n. 27

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

GESTAÇÃO DE ALTO RISCO: Diabetes gestacional (diagnosticado durante a gravidez) e/ou Diabetes pré-gestacional (diabetes prévio à gravidez: tipo 1, tipo 2 ou outros).

Atendimento na Unidade Saúde da Família em 06/12/11


Gestante acompanhada por médico(Alto Risco) e enfermeira (na Unidade Saúde da Família), 10 gestações, 9 nascido vivos e 1 aborto, reside povoado casa de pedra

O diabetes mellitus é uma doença metabólica crônica, caracterizada por hiperglicemia.
É responsável por índices elevados de morbimortalidade perinatal, especialmente
macrossomia fetal e malformações fetais.
 O diabetes mellitus associado à gravidez pode ser classificado como:
•• Diabetes gestacional (diagnosticado durante a gravidez).
•• Diabetes pré-gestacional (diabetes prévio à gravidez: tipo 1, tipo 2 ou outros).
O diabetes pré-gestacional representa 10% das gestantes com diabetes na
gravidez e requer manejo adequado antes mesmo da mulher engravidar.
No nível da atenção básica, as equipes devem estar atentas para com as mulheres
diabéticas que planejam engravidar, já que estas devem ser referenciadas para
centros de atenção secundária ou terciária visando: compensação metabólica, préconcepção;
avaliação da presença de complicações crônicas da doença; e orientação
especializada para a prevenção de malformações fetais, incluindo o uso rotineiro de
ácido fólico. É importante que essas mulheres engravidem com níveis glicêmicos adequados,
com o objetivo de prevenir as malformações fetais associadas à hiperglicemia
periconcepcional e as demais complicações maternas e fetais associadas à gravidez.
Quanto mais descompensado estiver o controle glicêmico destas mulheres no momento
da concepção, maior o risco de abortamento e de malformações do concepto.
Mulheres com diabetes que engravidaram sem esse planejamento também devem ser
encaminhadas a serviço especializado prontamente.
Diabéticas com nefropatia ou vasculopatia devem ser orientadas a não engravidar.
Diabetes gestacional
O diabetes gestacional é definido como a “intolerância aos carboidratos, de
graus variados de intensidade, diagnosticada pela primeira vez durante a gestação,
podendo ou não persistir após o parto”. No Brasil, a prevalência do diabetes gestacional
em mulheres com mais de 20 anos, atendidas no Sistema Único de Saúde, é de
7,6% (IC95% 6,9-8,4 – critério da Organização Mundial da Saúde), 94% dos casos apresentando
apenas tolerância diminuída à glicose e seis apresentando hiperglicemia no
nível de diabetes fora da gravidez.
Rastreamento e diagnóstico
Embora não exista consenso sobre qual método é o mais eficaz para rastreamento
e diagnóstico do diabetes gestacional, as recomendações a seguir oferecem
uma alternativa efetiva para tal. O rastreamento deve ser iniciado pela anamnese para
a identificação dos fatores de risco:
•• Idade igual ou superior a 35 anos;
•• Índice de massa corporal (IMC) >25kg/m2 (sobrepeso e obesidade);
• Antecedente pessoal de diabetes gestacional;
•• Antecedente familiar de diabetes mellitus (parentes de primeiro grau);
•• Macrossomia ou polihidrâmnio em gestação anterior;
•• Óbito fetal sem causa aparente em gestação anterior;
•• Malformação fetal em gestação anterior;
•• Uso de drogas hiperglicemiantes (corticoides, diuréticos tiazídicos);
•• Síndrome dos ovários policísticos;
•• Hipertensão arterial crônica.
Na gravidez atual, em qualquer momento:
•• Ganho excessivo de peso;
•• Suspeita clínica ou ultrassonográfica de crescimento fetal excessivo ou polihidrâmnio.
Todas as gestantes, independentemente de apresentarem fator de risco, devem
realizar uma dosagem de glicemia no início da gravidez, antes de 20 semanas,
ou tão logo seja possível. O rastreamento é considerado positivo nas gestantes com
nível de glicose plasmática de jejum igual ou superior a 85mg/dL e/ou na presença de
qualquer fator de risco para o diabetes gestacional. Na ausência de fatores de risco e
glicemia de jejum ≤ 85mg/dL, considera-se rastreamento negativo e deve-se repetir a
glicemia de jejum entre a 24ª e 28ª semana de gestação.
Duas glicemias plasmáticas de jejum ≥ 126mg/dL confirmam o diagnóstico de
diabetes gestacional, sem necessidade de teste de tolerância.
As gestantes com rastreamento positivo, ou seja, com glicemia plasmática de
jejum maior ou igual a 85mg/dL até 125mg/dL e/ou com qualquer fator de risco devem
ser submetidas à confirmação diagnóstica com teste oral de tolerância à glicose
após ingestão de 75g de glicose anidra em 250–300ml de água, depois de um período
de jejum entre 8–14 horas (TOTG 75g 2h). A glicose plasmática é determinada em jejum,
após 1 hora e após 2 horas. Nesta curva, os pontos de corte são >95, 180 e 155,
respectivamente, os achados de dois valores alterados confirmam o diagnóstico. Um
único valor alterado indica a repetição do TOTG 75g 2h na 34ª semana de gestação.
Quadro 30. Pontos de corte para o Teste de Tolerância à Glicose 75g
Jejum 1h 2h
95mg/dL 180mg/dL 155mg/dL
Dois ou mais valores devem estar acima do normal para confirmação diagnóstica.
Recomenda-se ainda a dosagem de hemoglobina glicada nos casos de diabetes
e gestação, devido à sua associação, quando aumentada, com malformações.

Diabetes pré-gestacional
O diabetes pré-gestacional pode ser do tipo 1 ou 2, sendo que na maioria dos
casos na gestação são do tipo 2, caracterizado por surgir em idades mais tardias, com
resistência periférica à insulina, deficiência relativa de insulina, obesidade e desenvolvimento
de complicações vasculares, renais e neuropáticas. O diabetes tipo 1, anteriormente
conhecido como diabetes juvenil, menos comum, caracteriza-se por surgir
em idades mais precoces e por um processo autoimune que destrói as células β do
pâncreas, levando à necessidade de insulinoterapia.
Manejo do diabetes na gravidez
Mulheres que apresentam diabetes gestacional devem ser encaminhadas para
centros de atenção secundária. As gestantes com diagnóstico de diabetes pré-gestacional
devem ser manejadas em centros de assistência terciária por equipe multidisciplinar
composta por médico obstetra, endocrinologista, nutricionista, enfermeira
obstetra e outros profissionais, dependendo da necessidade e gravidade do caso. As
gestantes diabéticas em acompanhamento em centros de atenção secundária ou terciária
poderão também ser acompanhadas pelas equipes de atenção básica visando
maior controle e aderência aos tratamentos preconizados nos níveis de maior complexidade.
No manejo da gestante diabética devem ser adotadas as recomendações descritas
a seguir:
Dieta

O tratamento inicial consiste na prescrição de dieta para diabetes que permita
ganho adequado de peso de acordo com o estado nutricional da gestante, avaliado
pelo índice de massa corporal (peso/altura2) pré-gravídico (quadro 31).
Quadro 31. Ganho de peso recomendado de acordo com o índice de massa corporal prégravídico
Estado Nutricional
Inicial (IMC)
Recomendação de
ganho de peso (kg)
total no 1º trimestre
Recomendação de ganho
de peso (kg) semanal médio
no 2º e 3º trimestres
Recomendação de
ganho de peso (kg)
total na gestação
Baixo Peso (BP) 2,3 0,5 12,5–18,0
Adequado (A) 1,6 0,4 11,5–16,0
Sobrepeso (S) 0,9 0,3 7,0–11,5
Obesidade (O) - 0,3 7,0

CONSIDERAR
•• Quando o índice de massa corporal for normal, a ingestão calórica diária deve
ser estimada na base de 30–35Kcal/Kg.
•• Em gestantes com sobrepeso ou obesas, devem ser recomendadas pequenas
reduções na ingestão calórica (dietas com 24kcal/Kg/dia não parecem induzir
efeitos adversos ao feto).
•• Gestantes magras (IMC <19) requerem ingestão calórica na base de 40kcal/Kg/
dia para prover ganho adequado de peso.
•• A dieta deve ser fracionada em cinco a seis refeições diárias.
•• A composição calórica diária inclui 40–50% de carboidratos complexos ricos
em fibras, 20% de proteínas e 30–40% de gorduras não saturadas.
•• A distribuição calórica diária será de 10–20% no café da manhã, 20–30% no almoço,
20–30% no jantar e até 30% para lanches, incluindo um lanche ao deitar para
evitar a hipoglicemia noturna se a mulher estiver em uso de insulina.
•• Carboidratos de absorção rápida, como o açúcar comum, quando permitidos
moderadamente a gestantes com bom controle metabólico, devem entrar no
cálculo do valor calórico total da dieta. Adoçantes artificiais não calóricos podem
ser utilizados.
Adoçantes
•• Adoçantes têm sido utilizados pelas gestantes, tanto por automedicação como
por recomendação médica. O quadro abaixo permite orientação mais acurada
sobre os riscos, dada a variedade disponível no mercado.
Quadro 32. Adoçantes disponíveis no mercado e seu grau de risco
Risco Ingestão diária
aceitável
Produtos disponíveis e nomes comerciais
Sacarina. C 5mg/kg/dia. Sacarina + ciclamato: Adocyl, Assugrin, Assugrin
Tal & Qual, Dietil, Doce Menor, Sacaryl.
Estévia + ciclamato + sacarina: Lowçucar pó
500g.
Ciclamato. C 11mg/Kg/dia. Sacarina + ciclamato.
Éstevia + ciclamato + sacarina.
Acessulfame + ciclamato: Finett.
Ciclamato + frutose + lactose: Frutak.
Aspartame. B
C em
mulheres
com fenilcetonúria
40mg/kg/dia. Aspartame + agente de corpo: Aspasweet,
Cristaldiet, Doce Menor Gold, Gold Adoce
Fácil, Finn, Lowçucar pó, Stetic, Veado D
Ouro, Zero Cal Branco.
Aspartame + açúcar: Sugar Light.
Sucralose. B 15mg/Kg/dia. Sucralose + acessulfame: Línea Sucralose.
Acessulfame-K. B 15mg/Kg/dia. Acessulfame + ciclamato.Stévia. B (?) 5,5mg/Kg/dia. Estévia + ciclamato + sacarina + carbohidratos:
Stevita, Lowçucar.
Estévia + açúcar mascavo: Lowçúcar pó 500g.
Estévia + Ciclamato + sacarina: Lowçúcar
Líquido.
Fonte: Torloni MR et al.
Atividade física
A atividade física deve fazer parte da estratégia de manejo do diabetes na
gestação. Gestantes sedentárias podem ser orientadas a iniciar um programa de
caminhadas
regulares ou equivalente e/ou exercícios de flexão dos braços, 20 minutos
por dia. Gestantes que já praticavam exercícios regularmente podem mantê-los,
evitando os de alto impacto.
60% das gestantes com diabetes gestacional podem se manter euglicêmicas,
sem maiores riscos para a gravidez, somente com dieta e atividade física.
Controle glicêmico
Nas gestantes com diagnóstico de diabetes gestacional, o controle glicêmico
deve ser feito com glicemias de jejum e pós-prandiais semanais. O controle também
pode ser realizado com avaliações de ponta de dedo.
Após 7 a 14 dias de dieta, realizar perfil glicêmico ambulatorial, por meio de
glicemia de jejum, uma hora após o café e uma hora após o almoço, sendo considerados
anormais valores maiores ou iguais a 95mg/dL (jejum) e 140mg/dL (1 hora após
as refeições). Se a gestante apresentar um dos valores alterado com a dieta adequada,
está indicada insulinoterapia.
A medida da glicosúria não é útil na monitoração do controle metabólico na
gravidez.
Nas gestantes com diagnóstico de diabetes pré-gestacional e naquelas em uso
de insulina, o controle glicêmico deve ser mais rigoroso, com medições diárias pela
manhã em jejum, antes do almoço, antes do jantar, uma ou duas horas após o almoço
e uma ou duas horas após o jantar. Medições adicionais podem ser realizadas ao deitar
e durante a madrugada (2–3h), especialmente em gestantes que apresentarem sintomas
de hipoglicemia noturna. Para tal, as gestantes devem ser orientadas na monitoração
domiciliar das glicemias capilares e para o uso adequado dos glicosímetros,
devendo ser acompanhadas por pessoal de enfermagem treinado.
Hipoglicemiantes orais
Embora já existam estudos com o emprego de hipoglicemiantes orais na gravidez,
como a gliburida, os mesmos ainda não devem ser utilizados na prática clínica até
que mais estudos possam confirmar a sua segurança. As mulheres que estiverem em
uso dos mesmos devem interrompê-los ao engravidar.
Insulinoterapia
 Nas grávidas com diabetes gestacional, o tratamento com insulina deve ser indicado se após duas semanas de dieta os níveis glicêmicos permanecerem elevados,
ou seja, glicemia de jejum maior ou igual a a 95mg/dL e 1 hora pós-prandial maior ou
igual a 140mg/dL. As doses iniciais devem ser de 0,3 a 0,5U/Kg/dia, preferencialmente
em mais de uma dose diária. Dividir o total de unidades em duas ou três doses iguais
de insulina NPH, aplicadas às 7h e 22h, ou às 7h, 12h e 22h.
O crescimento fetal exagerado (circunferência abdominal fetal maior ou igual
ao percentil 75 em ecografia obstétrica realizada entre 29 e 33 semanas de gestação)
também é critério para o uso de insulina.
O objetivo da terapia com insulina é manter os níveis de glicemia capilar
≤95mg/dL em jejum; ≤100mg/dL antes das refeições; ≤140mg/dL uma hora pós-prandial;
e ≤120mg/dL duas horas pós-prandial. Durante a noite, os níveis glicêmicos não
podem ser menores que 60mg/dL.
Nas gestantes pré-diabéticas as necessidades de insulina são maiores e aumentam
com a progressão da gravidez, devendo ser monitoradas de acordo com o
perfil glicêmico.
Esquemas com doses múltiplas de insulina e associação de insulinas de ação
intermediária e rápida podem ser usados quando necessário, de acordo com o perfil
glicêmico. O uso de insulinas humanas é recomendado. A dose total diária deve ser dividida
em 2/3 pela manhã e 1/3 à tarde e à noite. A dose do desjejum deve ser dividida
em 2/3 de insulina de ação intermediária (ex.: NPH) e 1/3 de insulina regular. A dose
da noite deve ser dividida ao meio com insulina regular antes do jantar e insulina NPH
ao deitar.
Diabéticas pré-gestacionais em uso de insulinas ultrarrápidas (aspart, lispro)
podem ser mantidas com o mesmo esquema.
 Exemplo de uso de insulina em gestante de 60Kg com dose de 0,3 a 0,5U/Kg/dia
Manhã
(em jejum)
Fim de tarde
(às 18h)
Noite
(às 22h)
Insulina NPH 8–13 U ------------ 3–5 U
Insulina Regular 4–7 U 3-5 U -----------
Dependendo dos níveis glicêmicos, outras doses podem ser necessárias, principalmente
de insulina regular, para se atingir o objetivo terapêutico.
As gestantes em uso de insulina e seus familiares devem ser orientados para
o reconhecimento de sinais de hipoglicemia. Na ocorrência destes, deve ser realizada
medição imediata da glicemia capilar se estiver disponível o glicosímetro. Na ocorrência
de hipoglicemia e/ou sinais fortemente sugestivos da mesma, a gestante deve ingerir
um copo de leite com açúcar. Principalmente nas portadoras de diabetes tipo 1, deve-se
disponibilizar o glucagon para uso em casos mais graves (ex.: perda da consciência).

Controle Obstétrico e Avaliação Fetal
A frequência do controle obstétrico depende do grau de comprometimento
materno e/ou fetal. Mulheres com diagnóstico de diabetes gestacional podem inicialmente
ser monitoradas a cada duas semanas. Naquelas com diabetes pré-gestacional
pode-se realizar um controle semanal ou a cada duas semanas conforme a evolução
clínica. A partir das 36 semanas, o controle deve ser ao menos semanal. O aumento
na incidência de alterações hipertensivas na gestação com diabetes deve promover
cuidados específicos para sua identificação e manejo.
O bem-estar fetal se baseia fundamentalmente em manter a euglicemia materna.
A avaliação fetal deve ser realizada dependendo da gravidade e das condições
metabólicas da gestante conforme segue:
 Indicação de avaliação fetal de acordo com gravidade do diabetes
Diabetes gestacional
bem controlado com
dieta
Gestantes diabéticas
insulino-dependentes
sem vasculopatia
Gestantes diabéticas
insulino-dependentes
com vasculopatia
Ultrassonografia e ecografia
inicial
18–20 semanas ou no
diagnóstico
18–20 semanas 18–20 semanas
Início da contagem de
movimentos fetais
não indicada 26–28 semanas 26–28 semanas
Início da avaliação do
crescimento fetal
28 semanas 28 semanas 26 a 28 semanas
Periodicidade da avaliação
do crescimento
fetal
Cada 4 semanas Cada 4 semanas Cada 4 semanas
Cardiotocografia basal
ou PBF início
não indicada 32 semanas 28–32 semanas
Periodicidade da
Cardiotocografia
basal
ou PBF
não indicada 2 vezes por semana,
podendo alternar os
dois exames
2 vezes por semana,
podendo alternar os
dois exames
Dopplerfluxometria de
artéria umbilical fetal
não indicada não indicada Indicada
Limite para o parto 40 semanas Pode ser anterior ao
termo dependendo
das condições
maternofetais
Com evidências de
maturidade pulmonar
ou 38 semanas
Momento e via de Parto
As gestantes com ótimo controle metabólico e sem intercorrências da gravidez
podem aguardar a evolução espontânea para o parto.
O parto pode ser antecipado naquelas gestantes com controle metabólico inadequado,
vasculopatia, nefropatia ou história de natimorto anterior.
Em gestantes com diabetes de difícil controle e/ou comprometimento fetal,
recomenda-se utilizar corticoide para maturação pulmonar fetal.
Em gestantes diabéticas insulino-dependentes com vasculopatia o parto será realizado
impreterivelmente até a 38a semana.
A via do parto é uma decisão obstétrica, sendo necessário estimar o peso fetal
por avaliação clínica e ultrassonográfica. Se o peso fetal estimado por ultrassonografia
for maior ou igual a 4.500g, pode-se considerar a realização de cesariana.
Durante o trabalho de parto deve-se estar atento para a evolução no partograma.
A presença de distúrbios de parada ou demora podem ser os primeiros sinais de
uma desproporção feto-pélvica, diminuindo-se o limiar para realização de cesariana
para minimizar a ocorrência de distocia de ombro e outras lesões de parto.
Gestantes em uso de insulina requerem
atenção especialdurante o trabalho de parto
Gestantes em trabalho de parto espontâneo
•• Realizar uma dosagem de glicemia na admissão;
•• Suspender uso de insulina;
•• Permitir ingestão de líquidos claros na fase de latência;
•• Iniciar solução salina;
•• Monitorar glicemia de 2/2 horas na fase de latência e de 1/1 hora na fase ativa;
•• Durante o trabalho de parto, os níveis de glicemia capilar devem ser mantidos
entre 70 e 110mg/dL;
•• Se glicemia <70mg/dL, iniciar infusão de solução glicosada a 5 a 100–150ml/h;
•• Se glicemia>100mg/dL iniciar infusão de insulina intravenosa a 1,25U/h.
Indução programada do parto
•• A indução deve ser programada para o início da manhã;
•• Se a indução for iniciada com algum método de preparação do colo (ex.: misoprostol),
manter a dieta e o regime usual de insulina até início do trabalho de
parto e depois seguir com protocolo de trabalho de parto espontâneo;
•• Se o parto for induzido com ocitocina, manter dose usual de insulina na noite
anterior, suspender insulina no dia da indução e seguir com protocolo de trabalho
de parto espontâneo.

Cesariana programada
•• A cesariana deve ser programada para o início da manhã;
•• Suspender dieta na noite anterior. Oferecer um lanche reforçado e líquidos em
maior quantidade antes do jejum;
•• Manter dose de insulina na noite anterior;
•• Suspender insulina da manhã;
•• Solução intravenosa de glicose a 5% 100–150ml/h até o parto;
•• Monitorar glicemia de 4/4h até o parto;
•• Fluidos intraparto a critério do anestesiologista.

Pós-parto
O aleitamento natural deve ser estimulado.
Observar os níveis de glicemia nos primeiros dias após o parto, pois a maior
parte das mulheres com diabetes gestacional não requer mais o uso de insulina. Seu
uso estará indicado caso ocorra hiperglicemia no período de pós-parto. Neste caso
deve-se iniciar o tratamento com um terço da dose total de insulina que a mulher vinha usando.
É fundamental a orientação de retorno para avaliação a partir de seis semanas
após o parto, para que o estado de regulação da glicose seja reavaliado empregandose
o teste oral de tolerância com 75g de glicose (TOTG 75). A classificação do estado
de regulação da glicose é feita de acordo com as categorias diagnósticas vigentes.
Cerca de 40% das mulheres que apresentam diagnóstico de diabetes gestacional se
tornarão diabéticas em até 10 anos após o parto e algumas já ficam diabéticas após
a gestação vigente. Daí a necessidade de acompanhar estas mulheres com estudo da
glicemia de jejum anual pelo resto da vida ou até a confirmação do diagnóstico.


FONTE: Gestação de Alto Risco
Manual Técnico
Série A. Normas e Manuais Técnicos
Brasília – DF
2010